A Independência do Brasil, celebrada todo 7 de setembro, é um daqueles eventos que todo mundo acha que conhece de cor. O quadro famoso de Pedro Américo, com Dom Pedro I montado em um cavalo imponente, espada em punho, gritando “Independência ou Morte!” às margens do rio Ipiranga… parece épico, não é? Mas a história real é bem mais complicada, cheia de nuances, interesses econômicos e até dores de barriga (sim, você leu direito).
Muitos “fatos” que aprendemos na escola ou vemos em filmes são, na verdade, construções românticas do século XIX, especialmente durante o Segundo Reinado, para fortalecer a monarquia e a identidade nacional. Neste artigo, vamos desmascarar 7 mentiras comuns sobre a Independência do Brasil. Prepare-se para questionar tudo o que achava saber!
E se você gosta de mergulhar fundo na história, explore mais no Canal Fez História ou confira nossa seção sobre a História Contemporânea do Brasil (c. 1800-presente).
1. Mentira: O Grito do Ipiranga Foi um Momento Heroico e Teatral como no Quadro de Pedro Américo
O quadro “Independência ou Morte” (1888), de Pedro Américo, é icônico: Dom Pedro erguendo a espada, comitiva luxuosa, guarda real, pose dramática. Mas isso é arte romântica, não história. O próprio artista admitiu que alterou elementos para tornar a cena mais grandiosa.
Na realidade, o episódio foi bem mais simples e “bucólico”. Dom Pedro voltava de uma viagem ao litoral paulista (Santos), onde provavelmente comeu algo estragado ou bebeu água contaminada. Historiadores como Laurentino Gomes descrevem um mal-estar intestinal súbito – sim, o futuro imperador estava com dor de barriga forte quando recebeu as cartas das Cortes Portuguesas exigindo seu retorno.
Não havia dezenas de cavaleiros uniformizados. Eram apenas cerca de 14 pessoas, em trajes simples de viagem (roupas de tropeiro, nada de veludo ou gala). O “grito” foi improvisado, urgente, para romper formalmente os laços após a decisão já tomada no Rio.
Quer entender melhor o contexto colonial que levou a isso? Leia sobre as Capitanias Hereditárias e o Governo Geral de 1549, que moldaram o Brasil desde o início.
2. Mentira: Dom Pedro Estava Montado em um Belo Cavalo Alazão
No quadro, o cavalo marrom é majestoso, símbolo de poder. Mas Dom Pedro montava uma mula – animal resistente, comum em viagens longas por estradas ruins. Mulas eram preferidas para tropeiros porque aguentavam mais do que cavalos em terrenos difíceis.
Isso reflete a realidade prática do Brasil colonial: nada de luxo europeu. O imperador viajava como qualquer um da elite local. Para contextualizar as elites da época, veja biografias como a de Juscelino Kubitschek ou Getúlio Vargas, que mostram como o poder sempre se adaptou ao contexto brasileiro.
Se você quer visualizar melhor como eram essas viagens, confira conteúdos sobre a Expansão Comercial e Marítima (c. 1500-1700).
3. Mentira: O Grito Aconteceu Exatamente “Às Margens do Rio Ipiranga”
O Hino Nacional diz “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas…”, mas o local exato não era bem na beira do riacho. O riacho Ipiranga era pequeno, e o grupo parou em uma área próxima, possivelmente numa estrada ou ponte improvisada.
A ideia de “margens plácidas” veio depois, romantizada. O local real era mais uma trilha lamacenta do que um cenário poético. O Museu do Ipiranga (onde o quadro está) virou símbolo, mas a cena foi reconstruída décadas depois.
Para entender o Brasil pré-independência, leia sobre a Invasão Holandesa no Brasil e a União Ibérica (1580-1640), que mostram como o território já era disputado.
4. Mentira: A Independência Foi Pacífica e Sem Derramamento de Sangue
Esse é um dos mitos mais persistentes: “o Brasil se separou sem guerras, diferente da América Espanhola”. Falso! Houve combates intensos após 7 de setembro de 1822.
A consolidação da independência levou anos: guerras na Bahia (1822-1823), Maranhão, Piauí, Cisplatina (Uruguai), Grão-Pará. Milhares morreram. Na Bahia, a luta durou quase um ano, com batalhas navais e terrestres. Foi sangrenta, com participação de escravizados e indígenas.
O mito da paz veio do Império para legitimar a monarquia. Confira a Guerra do Paraguai para ver como conflitos marcaram nossa história posterior.
5. Mentira: Dom Pedro I Foi o Único Protagonista da Independência
Dom Pedro gritou, mas o processo foi coletivo. Maria Leopoldina (esposa) assinou decretos chave no Rio enquanto Pedro estava em SP. José Bonifácio (ministro) articulou tudo.
As elites brasileiras (fazendeiros, comerciantes) pressionavam por autonomia econômica, especialmente após a transferência da corte em 1808. A vinda da família real mudou tudo – veja A Vinda da Família Real Portuguesa.
Mulheres e escravizados tiveram papéis invisíveis. Para mais sobre elites, leia sobre O Segundo Reinado no Brasil – D. Pedro II.
6. Mentira: O Dia 7 de Setembro Sempre Foi a Data Oficial da Independência
Em 1822, ninguém comemorava 7 de setembro. Debates incluíam 12 de outubro (aclamação de Pedro) ou 1º de dezembro (coroação). A data só fixou no Segundo Reinado, para reforçar o poder monárquico.
O 7 de setembro virou símbolo romântico. Para contexto, veja A Constituição de 1824 e O Período Regencial.
7. Mentira: A Independência Foi um Movimento Popular e Democrático
A Independência beneficiou elites (senhores de engenho, cafeicultores). O povo (escravizados, indígenas, pobres) não participou diretamente – muitos continuaram oprimidos. A abolição veio só em 1888.
Foi uma “independência conservadora”, mantendo estruturas coloniais. Veja Os Escravos e 13 de Maio de 1888 para entender a continuidade.
Perguntas Frequentes sobre a Independência do Brasil
O que realmente disse Dom Pedro I no Grito do Ipiranga?
Provavelmente algo como “Independência ou Morte! Pelo meu sangue, pela honra e pelo bem do povo, estou pronto para tudo!”. A frase exata varia em relatos.
Por que o Brasil não se fragmentou como a América Espanhola?
A unidade veio da centralização da corte no Rio e do medo de revoltas populares. Leia sobre Guerras de Independência na América Latina (c. 1808-1825).
Qual o papel de Leopoldina na Independência?
Ela governou interinamente e pressionou pela ruptura. Muitos dizem que ela “assinou” a independência antes.
A Independência acabou com o colonialismo?
Não imediatamente. Estruturas econômicas (como o O Açúcar e depois o café) persistiram.
Se curtiu essas revelações, continue explorando! Acesse nossa Loja para materiais exclusivos ou leia sobre A Inconfidência Mineira, outro mito histórico.
A Independência do Brasil não foi um conto de fadas heróico, mas um processo complexo, com interesses, dores e lutas reais. Desconstruir esses mitos nos ajuda a entender melhor quem somos como nação.
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